sexta-feira, 17 de abril de 2015

Oração do XVII Congresso Eucarístico Nacional



Jesus Eucaristia, fonte de vida para todos,
coração dos corações!
Nós te acolhemos presente entre nós.
Ao recebermos teu Corpo e teu Sangue,
mostra-nos a força redentora de teu sacrifício.
Tu és partilha de vida e salvação para a vida do mundo.
Abre nossos corações
para compartilhar com todos os nossos bens.
Ensina-nos a testemunhar, amar e servir e proteger a vida,
aprendendo a lição do Altar.
Em ti todas as coisas foram criadas
e nossas terras amazônicas são obra do amor do Pai.
Reconhecemos estes sinais de amor,
presença e providência em nossa história,
e desejamos irradiar na comunhão com Deus e com todos,
a missão que nos confiaste.
Senhor Jesus, há quatro séculos a Boa Nova do Evangelho
aportou em nossas terras, para aqui plantar raízes.
Os teus missionários se alegraram,
ao verem as Sementes do Verbo de Deus,
que o Espírito Santo havia espalhado, precedendo seus passos,
e anunciaram corajosamente a tua Palavra.
A partir do Forte do Presépio, sob a proteção de Nossa Senhora da Graça,
chamando-a Santa Maria de Belém ou Senhora de Nazaré,
a Amazônia recebeu a mensagem da salvação.
Renova hoje, Senhor, com a força da Eucaristia,
o vigor missionário em nossos povos,
e brotem entre nós santas vocações para o serviço do Evangelho.
Cristo Senhor, ao reconhecer-te no partir do Pão,
faze arder nossos corações,
para que do Altar da Eucaristia
nasça um novo ardor missionário em nossa Pátria.
Ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
sejam dadas, hoje e sempre,
toda a honra e toda a glória! Amém.


Catequese do Papa Francisco - 15 de Abril de 2015

Complementariedade entre homem e mulher


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A catequese de hoje é dedicada a um aspecto central do tema da família: aquele do grande dom que Deus deu à humanidade com a criação do homem e da mulher e com o sacramento do matrimônio. Esta catequese e a próxima dizem respeito à diferença e à complementaridade entre o homem e a mulher, que estão no vértice da criação divina; as duas que seguirão depois serão sobre outros temas do matrimônio.
Comecemos com um breve comentário sobre o primeiro relato da criação, no Livro do Gênesis. Aqui lemos que Deus, depois de ter criado o universo e todos os seres vivos, criou a obra-prima, ou seja, o ser humano, que fez à própria imagem: “à imagem de Deus os criou: homem e mulher os criou” (Gen 1, 27), assim diz o Livro do Gênesis.
E como todos sabemos, a diferença sexual está presente em tantas formas de vida, na longa escada da vida. Mas somente no homem e na mulher essa leva em si a imagem e a semelhança de Deus: o texto bíblico o repete por três vezes em dois versículos (26-27): homem e mulher são imagem e semelhança de Deus. Isto nos diz que não somente o homem tomado a si é imagem de Deus, não somente a mulher tomada a si é imagem de Deus, mas também o homem e a mulher, como casal, são imagem e semelhança de Deus. A diferença entre homem e mulher não é para a contraposição, ou a subordinação, mas para a comunhão e a geração, sempre à imagem e semelhança de Deus.
A experiência ensina isso: para conhecer-se bem e crescer harmonicamente o ser humano precisa da reciprocidade entre homem e mulher. Quando isso não acontece, veem-se as consequências. Somos feitos para nos escutarmos e nos ajudarmos. Podemos dizer que sem o enriquecimento recíproco nesta relação – no pensamento e na ação, nos afetos e no trabalho, também na fé – os dois não podem nem ao menos entender profundamente o que significa ser homem e mulher.
A cultura moderna e contemporânea abriu novos espaços, novas liberdades e novas profundidades para o enriquecimento da compreensão desta diferença. Mas introduziu também muitas dúvidas e muito ceticismo. Por exemplo, pergunto-me se a chamada teoria do gênero não seja expressão de uma frustração e de uma resignação, que visa a cancelar a diferença sexual porque não sabe mais como lidar com ela. Sim, corremos o risco de dar um passo atrás. A remoção da diferença, na verdade, é o problema, não a solução. Para resolver os seus problemas de relação, o homem e a mulher devem, em vez disso, falar mais, escutar-se mais, conhecer-se mais, querer-se bem mais. Devem tratar-se com respeito e cooperar com amizade. Com estas bases humanas, sustentadas pela graça de Deus, é possível projetar a união matrimonial e familiar por toda a vida. A ligação matrimonial e familiar é uma coisa séria e o é para todos, não somente para os crentes. Gostaria de exortar os intelectuais a não abandonarem este tema, como se tivesse se tornado secundário para o empenho a favor de uma sociedade mais livre e mais justa.
Deus confiou a terra à aliança do homem e da mulher: a sua falência gera a aridez do mundo dos afetos e obscurece o céu da esperança. Os sinais já são preocupantes e os vemos. Gostaria de indicar, entre os muitos, dois pontos em que eu acredito que devemos nos empenhar com mais urgência.
O primeiro. Sem dúvida que devemos fazer muito mais em favor da mulher, se queremos dar mais força à reciprocidade entre homens e mulheres. É necessário, de fato, que a mulher não somente seja mais ouvida, mas que a sua voz tenha um peso real, uma autoridade reconhecida, na sociedade e na Igreja. O próprio modo com que Jesus considerou a mulher em um contexto menos favorável do nosso, porque naqueles tempos a mulher ficava justamente em segundo lugar, e Jesus a considerou de maneira que dá uma luz potente, que ilumina um caminho que leva para longe, do qual percorremos apenas um pedaço. Ainda não entendemos em profundidade quais são as coisas que pode nos dar o gênio feminino, as coisas que a mulher pode dar à sociedade e também a nós: a mulher sabe ver as coisas com outros olhos que completam o pensamento dos homens. É um caminho a percorrer com mais criatividade e audácia.
Uma segunda reflexão diz respeito ao tema do homem e da mulher criados à imagem de Deus. Pergunto-me se a crise de confiança coletiva em Deus, que nos faz tanto mal, nos faz adoecer de resignação à incredulidade e ao cinismo, não está ligada também à crise da aliança entre o homem e a mulher. De fato, o relato bíblico, com o grande afresco simbólico sobre o paraíso terrestre e o pecado original, nos diz justamente que a comunhão com Deus se reflete na comunhão do casal humano e a perda da confiança no Pai celeste gera divisão e conflito, entre homem e mulher.
Daqui vem a grande responsabilidade da Igreja, de todos os crentes e, antes de tudo, das famílias crentes, para redescobrir a beleza do desígnio criador que inscreve a imagem de Deus também na aliança entre homem e mulher. A terra se enche de harmonia e de confiança quando a aliança entre o homem e a mulher é vivida no bem. E se o homem e a mulher a procuram juntos entre eles e com Deus, sem dúvida a encontram. Jesus nos encoraja explicitamente ao testemunho desta beleza que é imagem de Deus.
Tradução: Canção Nova.

Por que não somos idólatras

https://padrepauloricardo.org/blog/por-que-nao-somos-idolatras

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

III Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria

http://padrepauloricardo.org/blog/iii-campanha-nacional-de-consagracoes-a-virgem-maria


 
 
"Apareceu no céu um Grande Sinal: uma Mulher Vestida de Sol, a lua debaixo dos Seus Pés, e na Cabeça, uma coroa de Doze Estrelas. (…) Foi então precipitado o grande Dragão, a Primitiva Serpente, chamado Demônio ou Satanás, o sedutor do mundo inteiro.” (Ap 12, 1; 9).
"Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. Se fizerdes o que vos digo, muitos almas se salvarão e terão paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará." (Nossa Mãe Santíssima em Fátima, 1917).

"Por Maria Jesus Cristo vem a nós, e por Ela devemos ir a Ele." (São Luis Maria Montfort)
 

Catequese de Bento XVI - Oração no livro do Apocalipse - 05/09/12

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=287289

Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé
(Tradução de Thaysi Santos - equipe CN Notícias)



CATEQUESE
Sala Paulo VI - Vaticano
05 de setembro de 2012


Queridos irmãos e irmãs, hoje, após as férias, retomamos a audiência no Vaticano, continuando a "Escola de oração" que estou vivendo juntamente com vocês nesta Catequese de quarta-feira.

Hoje quero falar sobre a oração no livro do Apocalipse que, como sabem, é o último do Novo Testamento. É um livro difícil, mas que contém uma grande riqueza, coloca-nos em contato com a oração viva e palpitante da assembléia cristã, reunida “no dia do Senhor" (Ap. 1,10): este é o pano de fundo no qual se desenvolve o texto.

Um leitor apresenta à assembléia uma mensagem confiada pelo Senhor ao evangelista João. O leitor e a assembléia constituem, por assim dizer, os dois protagonistas do desenvolvimento do livro. A  eles, desde o início, é dirigida uma saudação festiva: "Bem-aventurado aquele que lê e os que ouvem a palavra dessa profecia" (1,3). Do diálogo constante entre eles, brota uma sinfonia de oração, que  se desenvolve com uma grande variedade de formas até o fim. Ouvindo o leitor que apresenta a mensagem, ouvindo e observando a assembléia que reage, a oração deles tende a se tornar nossa também.

A primeira parte do Apocalipse (1,4-3,22) apresenta, na atitude da assembléia que reza, três fases sucessivas. A primeira (1,4-8) consiste em um diálogo - único caso no Novo Testamento - que ocorre entre a assembléia reunida e o leitor, que lhe dirige uma saudação de bênção: "Graça e paz" (1,4). O leitor prossegue destacando a fonte dessa saudação: ela vem da Trindade: do Pai, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, envolvidos juntos no levar adiante o projeto de criação e salvação para a humanidade.

A assembléia escuta e, quando ouve chamar o nome de Jesus Cristo, há como uma explosão de alegria, então responde com entusiasmo, elevando a seguinte oração de louvor: "Àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados com o seu sangue, que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém" (1,5b-6). A assembléia, envolta pelo amor de Cristo, se sente liberta da escravidão do pecado e proclama o "Reino" de Jesus Cristo, que pertence totalmente a Ele. Reconhece a grande missão que, através do Batismo, foi confiada a ela, de levar ao mundo a presença de Deus. E conclui essa celebração de ação de graças olhando novamente para Jesus e, com crescente entusiasmo, reconhece n'Ele "a glória e o poder" para salvar a humanidade. O "Amém" final conclui o hino de louvor a Cristo.
Já nestes primeiros quatro versículos contêm uma grande riqueza de informação para nós, diz que a nossa oração deve ser, acima de tudo, escutar Deus, que nos fala. Submersos com tantas palavras, somos pouco acostumados a ouvir, sobretudo nos recolhermos interiormente para estar atento ao que Deus quer nos dizer. Esses versículos ensinam-nos que a nossa oração, muitas vezes apenas de pedidos, deve ser, antes de tudo, de louvor a Deus por seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação.

Uma nova intervenção do leitor, então, convida a assembléia, cativada pelo amor de Cristo, ao compromisso de assimilar sua presença em sua vida. Diz assim: "Eis que vem com as nuvens e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele" (1,7a). Depois de subir ao céu em uma "nuvem", símbolo de transcendência (cf. Atos 1:9), Jesus Cristo retornará assim como ascendeu ao céu (cf. Atos 1,11b). Então, todos os povos o reconhecerão e, como exorta São João no quarto Evangelho, "olharão para Aquele que transpassaram" (19,37). Pensarão nos próprios pecados, na causa de Sua crucifixão e, como aqueles que tinham testemunhado tudo isso de forma direta no Calvário, “vão se lamentar" (cf. Lc 23,48) pedir perdão a Ele, para segui-Lo e preparar assim a plena comunhão com Ele, depois de seu retorno final.

A assembléia reflete sobre essa mensagem e diz: "Sim. Amém." (Ap 1,7 b). Exprime com seu "sim" a aceitação plena do que foi comunicado e pede que isso possa de fato se tornar realidade. É a oração da assembléia, que medita sobre o amor de Deus manifestado de forma suprema na Cruz e clama por viver a coerência dos discípulos de Cristo. E a resposta de Deus: "Eu sou o Alfa e o Ômega, Aquele que é, que era e que há de vir, o Todo Poderoso" (1,8). Deus, que se revela como o início e fim da história, aceita e leva a sério o pedido da assembléia. Ele foi, é e será presente e ativo com o seu amor nas relações humanas, no presente, tanto no futuro, como no passado, até chegar o fim dos tempos. Esta é a promessa de Deus e aqui encontramos outro elemento importante: a oração constante desperta em nós um senso de presença do Senhor em nossa vida e na história, uma presença que nos sustenta, nos guia e nos dá uma grande esperança no meio da escuridão de certos acontecimentos humanos. Além disso, cada oração, mesmo aquela feita na solidão mais radical, nunca é um isolar-se e nunca é estéril, mas é a força vital para alimentar uma vida cristã cada vez mais comprometida e coerente.

A segunda fase da oração da assembléia (1,9-22) aprofunda ainda mais o relacionamento com Jesus Cristo: o Senhor se mostra, fala, age, e a comunidade, sempre mais perto Dele, ouve, reage e acolhe. Na mensagem apresentada pelo leitor, São João relata sua experiência pessoal de encontro com Cristo: se encontra na ilha de Patmos, por causa da "palavra de Deus e do testemunho de Jesus" (1,9) e é “o dia do Senhor "  (1,10a), o domingo, dia em que celebramos a Ressurreição. E São João está "tomado pelo Espírito" (1,10a). O Espírito Santo o preenche e o renova, ampliando sua capacidade de acolher Jesus, o qual convida-o a escrever. A oração da assembléia que escuta, gradualmente assume uma atitude contemplativa motivada pelos verbos "ver", "olhar": contemple, tudo o que o leitor propõe, internalize-o e o assuma como seu.

João ouve "uma voz forte como de trombeta" (1,10b), a voz o ordena a enviar uma mensagem "às sete igrejas" (1,11) que se encontram na Ásia Menor e, por meio disso, a todas as igrejas de todos os tempos, juntamente com seus pastores. O termo "voz... de trombeta", tirado do livro do Êxodo (cf. 20,18), recorda a manifestação divina a Moisés no Monte Sinai e indica a voz de Deus que fala do céu, da sua transcendência. Aqui é atribuída a Jesus Cristo, o Ressuscitado, que da glória do Pai fala com a voz de Deus à assembléia em oração.

Virando-se "para ver a voz" (1,12), João vê "sete candelabros de ouro e em meio a eles, algo semelhante ao Filho do homem" (1,12-13), um termo muito familiar a João, que indica o próprio Jesus. Os castiçais de ouro, com suas velas acesas, indicam a Igreja de todos os tempos em postura de oração na Liturgia: Jesus ressuscitado, o "Filho do Homem" se encontra em meio a tudo isso, revestido com as vestes do sumo sacerdote do Antigo Testamento, atua como um mediador junto ao Pai.

Na mensagem simbólica de João, segue uma manifestação visível de Cristo Ressuscitado, com as características próprias de Deus, citadas no Antigo Testamento. Ele fala dos "cabelos... brancos como a lã, como a neve" (1,14), símbolo da eternidade de Deus (cf. Dn 7,9) e da Ressurreição.

Um segundo símbolo é o fogo, que no Antigo Testamento muitas vezes é associado a Deus para mostrar duas propriedades. A primeira é a intensidade de seu amor ciumento, que anima sua aliança com o homem (cf. Dt 4,24). É esta intensidade que se lê nos olhos de Jesus Ressuscitado: "Seus olhos eram como chama de fogo" (Ap 1,14a). A segunda é a capacidade irrestringível de vencer o mal como um "fogo devorador" (Dt 9,3). Assim também "os pés" de Jesus, no caminho por enfrentar e destruir o mal, tem o brilho do "bronze brilhante" (Ap 1,15).

A voz de Jesus Cristo então, "como o som de muitas águas" (1,15c), tem o ruído impressionante "da glória do Deus de Israel" que segue rumo a Jerusalém, mencionado pelo profeta Ezequiel (cf. 43,2). Seguem ainda três elementos simbólicos que mostram o quanto Cristo Ressuscitado está fazendo por sua Igreja: a mantém firme em sua mão direita – uma imagem muito importante: Jesus tem a Igreja em sua mão - fala a Ela com o poder penetrante de uma espada afiada e revela o esplendor de sua divindade: "Seu rosto era como o sol que brilha em todo o seu esplendor" (Ap 1:16). João se sente tão tomado por esta maravilhosa experiência do Ressuscitado, que perde as forças e cai como morto.

Depois desta experiência de revelação, o Apóstolo está à frente do Senhor Jesus que fala com ele, tranquiliza-o, coloca a mão em sua cabeça, revela sua identidade de Crucificado Ressuscitado e lhe confia a missão de transmitir sua mensagem à Igreja (cf. Ap 1,17-18). Algo belo é esse Deus diante daquele que perde as forças e cai como morto. É o amigo da vida, que coloca Sua mão em nossa cabeça. Assim será também para nós: somos amigos de Jesus. Depois da revelação de Deus Ressuscitado, Cristo Ressuscitado, não haverá temor, mas será o encontro com o amigo. A Assembléia também vive com João o momento especial de luz diante do Senhor, unidos. No entanto, é a experiência do encontro diário com Jesus, experimentando a riqueza do contato com o Senhor, que preenche todo o espaço da existência.

Na terceira e última fase da primeira parte do Apocalipse (Ap 2,3), o leitor propõe à assembléia uma mensagem na qual Jesus fala em primeira pessoa. Dirigida às sete igrejas situadas na Ásia Menor, próximo a Éfeso, as palavras de Jesus partem da situação particular de cada igreja, para depois se estender às igrejas de todos os tempos. Jesus entra na realidade de cada igreja, enfatizando luz e sombra, fazendo um apelo urgente: "Convertei-vos" (2,5.16; 3,19c). "Guardai o que tens" (3,11), "praticai as primeiras obras" (2,5); "Sejais zelosos, portanto, e vos convertei" (3,19b)... Esta palavra de Jesus, se ouvida com fé, imediatamente passa a ser eficaz: a Igreja em oração, acolhendo a Palavra de Deus se transforma.

Todas as igrejas precisam colocar-se à escuta do Senhor, abrindo-se ao Espírito, como Jesus pede insistentemente, que repetiu este pedido sete vezes: "Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" (2,7.11.17.29; 3,6.13.22). A assembléia ouve a mensagem recebendo um estímulo para o arrependimento, a conversão, a perseverança no amor, a orientação para o caminho.

Queridos amigos, o livro do Apocalipse nos apresenta uma comunidade reunida em oração, porque é na oração que experimentamos de forma crescente a presença de Jesus conosco e em nós. Quanto mais e melhor rezarmos, com constância e intensidade, mais nos assimilaremos a Ele, e Ele realmente entrará em nossa vida e a guiará, dando-nos alegria e paz. E quanto mais nós conhecermos, amarmos e seguirmos Jesus, mais sentiremos a necessidade de parar e rezar, recebendo d'Ele serenidade, esperança e força em nossas vidas. Obrigado pela atenção.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

"Sonhar com o Céu e não apenas constatar a realidade que nos circunda"

Dom Alberto Taveira Corrêa
ARCEBISPO METROPOLITANO DE BELÉM

Com muita frequência nos deparamos com os resultados de pesquisas destinadas a compor estatísticas que avaliam as tendências de nosso tempo, nas diversas áreas da vida. Trata-se de uma atividade inteligente, com metodologia precisa, cada vez mais apurada. Durante a semana que passou, já estavam à disposição levantamentos a respeito do que os eleitores levarão em conta nas próximas eleições municipais. Os comerciantes estão sempre atentos às tendências de mercado, os meios de comunicação conferem sua audiência, e daí por diante. Também as estatísticas religiosas nos interessam! Queremos saber com quem estamos tratando, como as pessoas recebem nossas mensagens, o efeito prático de nossa pregação e daí por diante. É que todos querem saber em que chão estão pisando!
  Há alguns dias, veio-me um desejo diferente, o de tornar-me, como um texto lido há alguns anos, um contador de estrelas, olhando para o alto, ao invés de olhar apenas para o chão, sonhar com o Céu e não apenas constatar a realidade que nos circunda. E redescobri a oração do Pai nosso, tão antiga quanto nova e revolucionária. Para rezá-lo, veio espontâneo o sinal da cruz. Antes do Pai nosso eu disse “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Vi que traçava, junto com as palavras, a cruz de Cristo sobre mim. Pareceu-me ver o universo aberto de forma diferente, com uma haste voltada para o alto, para o infinito. A outra abraçavao mundo. O contador de
estrelas começou a sonhar, mas com os pés no chão!

Vi que existe no alto um modelo para caminhar na terra. De fato, há um “plano” pensado desde toda a eternidade, há um sonho de Deus para a humanidade. Seu nome é santificado porque as pessoas são chamadas a viverem voltadas para fora de si, abertas para amar e não dobradas sobre os próprios interesses. Como sou livre, incomodou-me um pouco pensar que no desenho do projeto de Deus está escrito que é para fazer a sua vontade, até que entendi que numa reunião de amor, que dura toda a eternidade, a família de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, tramaram a estratégia da felicidade. Pareceu-me ver, olhando para as estrelas iluminadas no horizonte da fé, que é mesmo melhor fazer o que agrada a Deus, pois Ele é infinitamente maior do que todas as mentes humanas.

E foi então possível rezar de novo “venha a nós o vosso Reino”, constatando que é melhor implantar o Reino que precede e pode iluminar todos os reinos do mundo. Se eu tivesse em mãos todas as constituições de todos os países, e a elas ajuntasse a avalanche de leis que os homens e mulheres elaboram a cada dia, no afã de encontrar saídas para os problemas de nosso tempo, descobriria nelas os rastros daquele “plano”, porque sei que estão plantadas por aí muitas sementes do Verbo de Deus. É que acredito na ação misteriosa e verdadeira do Espírito Santo, que planta o bem onde nós menos esperamos.

Nas estrelas do Céu de Deus, vi que estava escrita a lei da providência. Pão do Céu e Pão da terra, pão compartilhado e dividido. Na oração, o sonho de que todos acolham o alimento do Céu e aprendam a lei divina da liberalidade, para que não haja fome nesta terra. Foi bom constatar que a natureza que Deus nos deu foi pensada com inteligência. Não faltam recursos nem comida, mas falta partilha! Quem se volta para o alto descobre a receita da despensa e da cozinha de Deus!

O Céu de Deus, a casa da Santíssima Trindade, é amor eterno. Quando desceu a terra, este amor assumiu a face da misericórdia. Que ousadia e que risco corri ao dizer “perdoai-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Viramos o jogo? O Céu e o Pai do Céu se submetem à nossa capacidade de perdoar? É que o plano de Deus nos introduziu num verdadeiro jogo de amor. Numa nova “escada de Jacó” (Cf. Gn 28,12 e Jo 1,51), o Céu e Terra partilham seus dons, ainda que o Céu seja sempre o vencedor, pois a vitória que vence o mundo é a fé!

Para chegar a tais alturas, aquele que nos livra do mal nos liberte também da tentação de olhar somente para baixo, nivelando o mundo ao rodapé das constatações frias. Deus tem a palavra e Ele é mais inteligente do que minha pobre percepção da vida. Olhando para Ele, que é família e não solidão, sonhei com o mundo “passado a limpo”, como foi pensado para a felicidade de todas as criaturas de todos os tempos.

Sonhei tanto que rezei assim: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”. E disse “Amém”. E sonhei de novo toda a humanidade vivendo o Céu, na terra e na eternidade!

Recria-me!

Identidade, Afetividade e Sexualidade
6ª feira, 15 de Junho (18h) até Domingo, 17 (16h)
3 dias de retiro de recriação, cura e conversão, para sermos livres para amar, na escola de São João.
Pregado por Ir. Maria Sarah e Ir. Micaela (SdV)
Inscrições:
Tel: 4104 - 4627
Cel: 8154 - 0555